segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

A FILMOGRAFIA WESTERN DE HENRY FONDA

Henry Fonda foi (e resta) um dos grandes nomes da História do cinema norte-americano, na sua vertente hollywoodiana. Que é, naturalmente, a mais visível e a mais importante. Quando, hoje, se evoca a carreira deste actor, veem-nos à memória películas como «Jezebel, a Insubmissa» (1938), «As Vinhas da Ira» (1940), «Doze Homens em Fúria» (1957) ou «A Casa do Lago» (1981), que contam entre as melhores que ele protagonizou ao longo dos anos em que esteve ligado ao mundo da 7ª Arte. Mas a verdade é que ele também deu corpo e voz a figuras westernianas, que emparelham, sem favor, com as personagens interpretadas nos supracitados filmes. Basta lembrar, entre outras, a do jovem Lincoln no filme «A Grande Esperança» (1939), a de Gilbert Martin -colono e insurrecto- em «Ouvem~se Tambores ao Longe» (1939), a de Gil Carter, o vaqueiro atormentado pelos remorsos de «Consciências Mortas» (1943), a do xerife Wyatt Earp em «A Paixão dos Fortes», a do oficial de cavalaria Owen Thursday em «Forte Apache» (1948) ou, ainda, a do manhoso jogador de póquer da fita «Todos Contra Um» (1966). Na realidade, Henry Fonda protagonizou inúmeras figuras de homem do Oeste numa longa sequência de westerns (cerca de 20), que aqui enumero. Esperando, naturalmente, não ter esquecido nenhum deles : 01- «A FILHA DO BOSQUE MALDITO» («The Trail of the Lonesome Pine»), de Henry Hathaway, 1936; 02- «A JUSTIÇA DE JESSE JAMES» («Jesse James»), de Henry King, 1939; 03- «A GRANDE ESPERANÇA» («Young Mr. Lincoln»), de John Ford, 1939; 04- «OUVEM-SE TAMBORES AO LONGE» («Drums Along the Mohawk»), de John Ford, 1939; 05- «O REGRESSO DE FRANK JAMES» («The Return of Frank James»), de Fritz Lang, 1940; 06- «CONSCIÊNCIAS MORTAS» («The Ox-Bow Incident»), de William Wellman, 1943; 07- «A PAIXÃO DOS FORTES» («My Darling Clementine»), de John Ford, 1946; 08- «FORTE APACHE» («Fort Apache»), de John Ford, 1948; 09- «SANGUE NO DESERTO» («The Tin Star»), de Anthony Mann, 1957; 10- «O HOMEM DAS PISTOLAS DE OURO» («Warlock»), de Edward Dmytryk, 1959; 11- «A CONQUISTA DO OESTE» («How the West Was Won»), de H. Hathaway, G. Marshall e J. Ford, 1962; 12- «TODOS CONTRA UM»* («A Big Hand for the Little Lady»), de Fielder Cook, 1966; 13- «O HOMEM COM A MORTE NOS OLHOS» («Welcome to Hard Times»), de Burt Kennedy, 1967; 14- «A HORA DA FÚRIA»* («Firecreek»), de Vincent McEveety, 1968; 15- «UM CLUBE SÓ PARA CAVALHEIROS»* («The Cheyenne Social Club»), de Gene Kelly, 1970; 16- «O RÉPTIL» («There Was a Crocked Man», de Joseph L. Mankiewicz, 1970. Assinalo também a participação do actor Henry Fonda, no elenco dos filmes -de inspiração westerniana- seguintes : A- «Dois Incorrigíveis Teimosos» («The Rounders»), de Burt Kennedy, 1965. Que se pode considerar um western comtemporâneo, visto a acção se desenrolar na segunda metade do século XX; B- «Aconteceu no Oeste» («C'Era una Volta il West»), de Sergio Leone, 1968. Que é um 'spaghetti'; C- «O Meu Nome é Ninguém» («Il Mio Nome è Nessuno»), de Tonino Valerii, 1973. Que é, também ele, um 'western' italiano. Da sua lista de interpretações figuram, ainda, algumas produções televisivas, das quais se destacam a série «The Deputy», que comportou 76 episódios de 30 minutos cada um, e os telefilmes «Stranger on the Run» (1967) e «The Red Pony» (1973). Nota final : os títulos portugueses assinalados com asterisco (*) foram-me comunicados por amigos, sem que eu tivesse podido confirmá-los junto de outras fontes.

«A VINGANÇA DOS MORTOS»

O filme «A VINGANÇA DOS MORTOS» («High Lonesome»), de 1950, apresenta a particularidade de ter sido realizado por Alan LeMay, o famoso escritor e argumentista de «A Desaparecida», a obra-prima de John Ford. Produzido e distribuído pela United Artists, este western teve a participação artística e John Barrymore Jr., Chill Wills, John Archer, Lois Butler, Kristine Miller, Basil Ruysdael e Jack Elam. Foi filmado a cores e tem uma duração de 81 minutos. Conta-nos a história de um jovem com problemas do foro psíquico, que se refugia num rancho abandonado, também escolhido como esconderijo por uma quadrilha de malfeitores procurados pelas autoridades. A coexistência entre eles não será pacífica... Confesso que nunca vi esta fita e que alimento alguma curiosidade em relação a este singular western. Títulos brasileiros conhecidos : «Ódio Implacável» e «O Forasteiro Solitário». Que eu saiba, ainda não tem cópia DVD editada na Europa.

domingo, 31 de Agosto de 2014

«CAVALGADA COM O DIABO»

Nesta fita datada de 1999, Ang Lee, o seu realizador, conta-nos uma história com acção decorrente durante a Guerra Civil : dois jovens 'Bushwhakers', amigos de infância organizam uma guerrilha que hostiliza as forças fiéis à união entre os estados. A sua determinação e audácia vai granjear-lhes a fama que ambicionam; mas também muitos dissabores... «CAVALGADA COM O DIABO» («Ride With the Devil») é um longo filme, com 138 minutos de duração. Foi filmado a cores e distribuído, nos E.U.A. pelo consórcio MCA/Universal Pictures. No elenco artístico figuram os nomes de Skeet Ulrich, Tobey McGuire, Jewel, Jeffrey Wright, Jeremy W. Auman e Kathleen Warfel. Título brasileiro idêntico ao usado em Portugal.

«O APACHE BRANCO»

Refiro, antes de mais e a título de pura curiosidade, que -no ano da sua estreia, em 1953- este filme foi um dos maiores sucessos de bilheteira verificado nos Estados Unidos. «O APACHE BRANCO» («Arrowhead») baseou-se num livro de W. R. Burnett, que narrava livremente episódios de vida do famoso batedor do exército Al Sieber. Algo violento para a época e francamente anti-índio, o que ia contra a corrente do tempo, que era de reabilitação e de humanização dos pele-vermelhas, este western foi realizado por Charles Marquis Warren e contou com as participações de Charlton Heston, Jack Palance (no impressionante papel de Toriano, o apache branco de que fala o título português), Kathy Jurado, Brian Keith, Mary Sinclair, Milburn Stone, Richard Shannon e Frank de Kova. Produzido para os estúdios Paramount, esta fita colorida  tem uma duração de 105 minutos. O seu título no Brasil é «O Último Guerreiro». Já com edições DVD em vários países da Europa; nomeadamente em França, de onde provém a cópia que eu tenho a sorte de possuir.

«FORA DA LEI»

«FORA DA LEI» («The Daltons Ride Again») tem a assinatura de Alan Curtis e contou com a participação interpretativa de Ray Taylor, Lon Chaney Jr., Noah Beery Jr., Jess Barker e Martha O'Driscoll. Filme produzido para os estúdios Universal em 1945. Com fotografia a preto e branco e com uma duração de 70 minutos. Sinopse : aquando do seu julgamento em Coffeyville, o famoso bandoleiro Emmett Dalton evoca o dia trágico em que os seus três irmãos e cúmplices foram abatidos a tiro durante o assalto a um banco. Título no Basil : «Os Dalton Retornam».

«STAGECOACH KID»

«STAGECOACH KID» é uma humilde produção da companhia RKO Radio Pictures, que teve realização -em 1949- de Lew Landers. Um rancheiro reformado e a sua filha tomam a diligência para San Francisco, cidade onde pensam estabelecer-se e viver dos seus rendimentos. Mas a carruagem que os transporta (mais os valores que possuem) é atacada por antigos empregados da família... Vale-lhes a coragem do condutor e do guarda da diligência, que metem os meliantes em fuga. Inédito em Portugal. A preto e branco e com 1 hora de duração. Filme protagonizado por Tim Holt, Richard Martin, Jeff Donnell, Joe Sawyer, Carol Hughes e Thurston Hall. Títulos brasileiros : «O Moço da Diligência» e «Diligência Fatídica».

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

«A DESAPARECIDA», DE JOHN FORD, (RE)ESTREIA HOJE NO CINEMA IDEAL

O Cinema Ideal (ex-salão Ideal, ex-Cine Camões, ex-Cinema Paraíso) reabre, hoje, as suas portas na rua do Loreto, em Lisboa. Isto, depois de um investidor ter (em boa hora !) apostado na sua sobrevivência enquanto espaço consagrado à 7ª Arte e de ter gasto cerca de 1/2 milhão de euros na sua reabilitação. Com capacidade para 200 espectadores, o Cinema Ideal estreia-se com dois filmes : «E Agora ? Lembra-me», do realizador português Joaquim Pinto e «A DESAPARECIDA», obra incontornável do cinema do Oeste, que mestre John Ford realizou em 1956. Lembro que esta última fita -que tem na interpretação dos principais papéis os actores John Wayne, Jeffrey Hunter, Natalie Wood, Vera Miles e Ward Bond- é considerada por muita gente (críticos e cinéfilos) o melhor western jamais realizado e que figura em 7º lugar na lista dos melhores filmes de sempre estabelecida pela revista «Sight and Sound», órgão oficial do prestigioso British Film Institute. Confesso que é nestas ocasiões que eu gostaria de morar na capital. Porque, certamente, não falharia este momento histórico da inauguração de um novo cinema (num tempo de bota abaixo) e a oportunidade de rever uma obra-prima no grande ecrã. Embora «A DESAPARECIDA» seja o filme que eu mais vezes vi na vida (20, 30 vezes ?), desde que, em finais da década de 50 (do passado século, obviamente), fiz a sua descoberta na modesta esplanada de um bairro periférico do Barreiro. E que, apesar da minha pouca idade, me dei conta que estava na presença daquele que viria a ser o filme da minha vida.