quinta-feira, 25 de outubro de 2012
OS HOMENS DA MONTANHA
Richard Luce, o autor desta bonita tela, intitulou-a «Hight Mountain Valley». Nela podemos observar três 'homens da montanha' no quadro magnífico das Rochosas; são, presumivelmente, caçadores de castores, cujas peles foram muito apreciadas pelas beldades e pelos 'dandys' do século XIX. Essa actividade (que chegou a ser intenssíssima, com a criação de empórios tais como a American Fur Company ou como a Pacific Fur Cº, ambas fundadas por John Astor) terminou por volta de 1840, com a quase extinção da espécie 'Castor canadensis'; que é, hoje, um animal protegido em toda a América do norte.
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Esta tela (cujo título ignoramos) é da autoria de um outro grande pintor da temática do Oeste americano : John Cox. Representa um 'mountain man' a cavalo, puxando uma besta de carga. A cena decorre no fim do inverno, facto testemunhado pelos tufos de erva que já despontam na paisagem.
E, também, pela ausência de neve na copa das árvores e nos rochedos. Foi a esta 'raça' de montanheses que se ficou a dever a descoberta de grandes porções de território americano, que eles calcorrearam de lés-a-lés, antes de toda a gente, na esperança de encontrar os tais castores e outros animais de pele preciosa. Foram eles (franceses do Quebeque, entre outros) quem, igualmente, entrou pela primeira vez em contacto com as nações e tribos ameríndias de aquém e além Rochosas. Os estúdios de cinema (e de televisão) de Hollywood prestaram-lhes homenagem através de algumas grandes películas, que permanecem -como um deslumbramento- nas nossas memórias. Citem-se algumas delas, a título de exemplo : «As Brancas Montanhas da Morte», «Um Homem na Solidão», «Assim São os Fortes». Na TV é importante realçar a mini-série «Centennial», uma maravilha, uma obra-prima.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
«HOMENS DE GELO», UMA PÉROLA RARA
Em contrapartida, esta fita de André de Toth -lançada em DVD no nosso país pelo editor (Ciné Digital) das ingénuas cowboyadas de Roy Rogers- é uma obra-prima. É uma película (com a atmosfera de um 'film noir') que é indispensável descobrir. Sobretudo por aqueles que querem saber algo mais sobre um género 'retro', que a maioria dos portugueses da minha geração perdeu de vista e que os cinéfilos mais jovens deste país não desdenhariam conhecer. «HOMENS DE GELO» conta-nos a história de um grupo de desesperados (ex-soldados do exército confederado), que depois de ter realizado um assalto, que lhe rendeu dezenas de milhar de dólares, tenta escapar aos seus perseguidores através das Montanhas Rochosas. E que, na sua fuga, faz refém a população de uma cidadezinha da região... Assim sumariamente contado, ficarão os leitores a pensar que o filme em causa é um modelo de fita de acção, com muitos tiros e cavalgadas movimentadas. Desenganem-se os que assim o imaginam. «HOMENS DE GELO» é um 'huis-clos', no qual a violência psicológica se sobrepõe às tradicionais cenas de murros e de disparos de armas de fogo. Daí o seu charme. Servida por um naipe de excelentes actores -Robert Ryan, Burl Ives, Tina Louise, etc), esta fita (a preto e branco) produzida pela companhia United Artists é uma das melhores peças do catálogo da supracitada editora, no qual figuram, no entanto, westerns tão extraordinários como «A Caravana Perdida», «Duelo ao Sol», «Johnny Guitar», «Sozinho Contra a Cidade» ou «Quem Ventos Semeia». ////////////////////////////////////////////////////////////// «HOMENS DE GELO» («Day of the Outlaw») foi realizado em 1959. À direita, na foto, perfila-se a figura de Robert Ryan, que tem nesta fita um dos bons papéis da sua carreira de actor
ROY ROGERS E AS SUAS FITAS
Confesso que não nutro grande apetência pelos filmes de Roy Rogers, o tal 'singer cowboy' dos anos 40, que virou herói de histórias aos quadradinhos. Aliás, nunca gostei de fitas que apresentavam figuras que viajavam num Oeste indefinido, no qual nunca se adivinhava quando é que as diligências e outros veículos típicos de finais do século XIX se iam cruzar com automóveis de luxo, posteriores à 2ª Guerra Mundial. Nunca apreciei um universo (mesmo cinematográfico), onde os Colts 45 'Peacemaker' afrontavam armas de destruição maciça introduzidas no nosso imaginário (e, infelizmente, nas nossas vidas reais) muitas décadas depois da invenção daquele Samuel que, depois de Deus ter criado os homens, os tornou iguais. Acho absurdo. Apesar disso, um destes dias, quis adquirir (nem eu sei bem porquê !) um DVD contendo 2 dessas tais películas : «A ROSA AMARELA DO TEXAS» e «HELDORADO». E a decepção foi a esperada. Bem feito, bem feito, bem feito !!! Isto sim, é um subgénero menor. Apesar das canções agradáveis e da presença do 'faire valoir' George 'Gabby' Hayes...
sábado, 13 de outubro de 2012
«TAMBORES AO LONGE»
«TAMBORES AO LONGE» («Drums Across the River») é um dos trinta e tal westerns protagonizados por Audie Murphy, o herói da 2ª Guerra Mundial que fez carreira em Hollywood, depois de se ter batido -galhardamente- contra os exércitos hitlerianos. Este filme é, também, um daqueles, que nunca foi editado em DVD na Europa. Realizado, em 1954, por Nathan Juran, «TAMBORES AO LONGE» (uma fitazinha de série B) é, pois, esperado por estas bandas com alguma espectativa por parte dos westernófilos. Eu tenho uma cópia manhosa, obtida através de uma gravação televisiva para suporte VHS e transferida, posteriormente, para disco. Não tem, por evidentes razões, um mínimo de qualidade; daí eu esperar que, qualquer dia, um editor destas bandas tenha a boa ideia de o lançar no mercado ibérico ou francês. Entretanto, parece que esta película já foi lançada no mercado brasileiro, onde é conhecida pelo título local «Tambores da Morte». Que pena estarem tão difíceis as trocas comerciais deste género de produtos entre Portugal e o país irmão das Américas. Mesmo através da internet é extremamente árduo estabelecer contactos e fazer compras em terras de Vera Cruz. Que pena ! Sobretudo, porque houve tempos em que era possível e fácil comprar DVD's, CD's e livros à Vídeo 2000 e ao Submarino... /////////////////////////////////////////////////////////////////// Cartaz nórdico de «Tambores ao Longe» (dinamarquês ?)
«O CAMINHO DO DIABO»/«A PASSAGEM DO NOROESTE»
«O CAMINHO DO DIABO» («Devil's Doorway»), estimável filme de Anthony Mann -que o realizou em 1950- é profundamente humano e considerado, a justo título, um dos primeiros westerns pró-índios da História do Cinema. Conta-nos a estória do pele-vermelha Lance Poole (Robert Taylor), um herói da Guerra Civil, que regressa à sua região de origem (no Wyoming) para constatar que o seu povo continua a ser vítima de espoliações e de ódio racial por parte da comunidade branca. Como antes do conflito entre estados, durante o qual ele serviu a causa da União e recebeu, pelos seus actos de bravura, a Medalha de Honra do Congresso. Inconformado com a situação, Poole vai colocar-se ao lado da sua gente para defender os seus direitos e a sua dignidade. Até à morte... Disse-se (e escreveu-se) que foi pelo facto de ela ter defendido a causa dos autóctones, que, em meados do século passado, esta película foi 'esquecida' pelos críticos de cinema e repudiada pela generalidade do público, que a condenou ao insucesso comercial. Felizmente os tempos mudaram (mesmo nos Estados Unidos) e «O CAMINHO DO DIABO» é hoje um filme reconhecido e considerado por todos os cinéfilos. A sua cópia DVD foi editada em França, aqui há uns meses atrás, pela Wild Side Video; que a integrou na sua preciosa colecção 'Classics Cinfidential', que compreende um livro (sobre o filme) de Bernard Eisenschitz intitulado «La Terre Promise»
Dez anos antes da estreia infeliz da película acima evocada, foi exibida nas salas de cinema dos 'states', um grandioso filme de King Vidor intitulado «A PASSAGEM DO NOROESTE» («Northwest Passage»), com Spencer Tracy. Esta fita obteve um sucesso colossal junto do público e da crítica. A tal ponto que chegou a encarar-se a possibilidade de rodar uma segunda parte (coisa que não se concretizou) e fez-se (por inspiração do filme) uma série televisiva (realizada por Jacques Tourneur), que, também ela, foi um grande êxito popular. Acontece, porém, que este filme de Vidor é (do meu ponto de vista, mas não só) de um racismo atroz, que atingiu um grau raramente visto na História do Cinema. Os nativos (sobretudo os do grupo étnico dos Abenakees) são tratados, nesta fita, como animais repelentes e nocivos, que é urgente exterminar. Para bem (naturalmente !) da Civilização... Enfim, dois filmes, duas visões do mundo, duas películas com um aceitamento diferente, que diz muito sobre a mentalidade das pessoas do tempo em que estas fitas foram produzidas. Também «A PASSAGEM DO NOROESTE» foi comercializada pela supracitada editora francesa de vídeo, no quadro da também já referida colecção. O filme de Vidor é acompanhado do livro «Dans la Gueule du Lion, da autoria de Jean Ollé-Laprune, que contém muita informação sobre a película
PARA REGALO DOS OLHOS E CONSOLO DA ALMA
Cinco cowboys observam, deslumbrados, a imensidão (e a beleza) da paisagem oferecida por um recanto do Oeste selvagem
(Tela do artista Mark Keathley, intitulada «Cattle Plan»)
***Clique na imagem para a ampliar***
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
JÁ ESTÃO À VENDA 4 NOVOS WESTERNS DE SIDONIS-CALYSTA
A editora francesa Sidonis-Calysta -tão pródiga no que respeita o lançamento de cópias de westerns clássicos- acaba de nos presentear com mais uma enfiada de DVD's dos anos 50. Trata-se, desta vez, de 4 fitas de série B, todas elas consagradas à temática do confronto entre brancos e índios. Com cópias restauradas (no que respeita o som e a imagem) estes produtos caracterizam-se pela qualidade habitual -cópias de bom nível, extras com comentários de conhecidos críticos de cinema (Patrick Brion e Bertrand Tavernier) e, desta vez, algo mais, já que, a cada estojo, foi adicionado um opúsculo com meia dúzia de páginas relatando a vida de um grande chefe ameríndio : Quanah Parker, Mangas Coloradas, Sitting Bull...
Os filmes em questão são :
«O ÚLTIMO GUERREIRO» («Sitting Bull»), de 1954, com realização de John Salkow «FORTE YUMA» («Fort Yuma»), de 1955, com realização de Lesley Selander «ATÉ AO ÚLTIMO HOMEM» («Comanche»), de 1956, com realização de George Sherman «FORTE MASSACRE» («Fort Massacre»), de 1958, com realização de Joseph M. Newman
Apesar de serem de visionamento agradável, nenhuma destas fitas ultrapassa a mediania. À excepção, todavia, de «Forte Massacre», que é uma película apreciável e que merece uma nota especial. Sobretudo pela realização ágil e nervosa de Joseph M. Newman, pela fotografia de Carl Guthrie (que nos mostra a rudeza do sudoeste dos 'states' de uma maneira que, visualmente, nos cativa) e pela 'performance' do actor Joel McCrea, que -no papel de um rude e implacável sargento de cavalaria- nos oferece um dos grandes papéis da sua carreira
Os filmes em questão são :
«O ÚLTIMO GUERREIRO» («Sitting Bull»), de 1954, com realização de John Salkow «FORTE YUMA» («Fort Yuma»), de 1955, com realização de Lesley Selander «ATÉ AO ÚLTIMO HOMEM» («Comanche»), de 1956, com realização de George Sherman «FORTE MASSACRE» («Fort Massacre»), de 1958, com realização de Joseph M. Newman
Apesar de serem de visionamento agradável, nenhuma destas fitas ultrapassa a mediania. À excepção, todavia, de «Forte Massacre», que é uma película apreciável e que merece uma nota especial. Sobretudo pela realização ágil e nervosa de Joseph M. Newman, pela fotografia de Carl Guthrie (que nos mostra a rudeza do sudoeste dos 'states' de uma maneira que, visualmente, nos cativa) e pela 'performance' do actor Joel McCrea, que -no papel de um rude e implacável sargento de cavalaria- nos oferece um dos grandes papéis da sua carreira
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