sábado, 5 de janeiro de 2013

PROCURA-SE : «SOUTHWEST PASSAGE»

Ralizado em 1954 por Ray Nazarro, «SOUTHWEST PASSAGE» nunca estreou comercialmente (ao que parece) no nosso país. Curiosamente, só vi metade desta fita. Com efeito, aqui há uns anitos, recebi, do Brasil, uma velha cópia que, infelizmente, só continha cerca de 50% do conteúdo. E, como pouco tempo depois perdi o contacto com o remetente, acabei por contrair uma grande frustração em relação a esta fita; que tem como principais intérpretes os actores Rod Cameron, Joanne Dru, John Ireland, John Dehner e Guinn 'Big Boy' Williams.
«SOUTHWEST PASSAGE» (que no Brasil se intitula «Areias do Inferno») conta, na realidade e em paralelo, duas histórias : a de um trio de malfeitores que, para fugir aos seus perseguidores (depois de ter pilhado um banco) se integra numa caravana que ruma para os territórios do Oeste longínquo e a de um oficial do exército encarregado de traçar uma pista através do deserto e que, para tanto, vai utilizar (para surpresa de todos !) uma cáfila de dromedários, importada da Arábia pelas autoridades militares. Esta história de camelídeos é verídica e já foi narrada em várias películas hollywoodianas. Das quais, a seu tempo, aqui falarei. Entretanto, procuro uma cópia integral desta fita, que eu sei já ter sido editada nos EUA e, também, em vários outros países extra-europeus. Por vezes este western também é conhecido pelo seu título britânico : «Camels West». Foi filmado a cores, tem 75 minutos de duração e foi (aquando da sua estreia) distribuído por United Artists.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

«ONDE IMPERA A TRAIÇÃO», O MEU PRIMEIRO WESTERN A CORES

Os filmes que vamos vendo ao longo da vida podem passar por nós sem deixar memórias; ou, então, marcam-nos, para sempre, por mil e uma razões. E eu sei porque motivo a fita «ONDE IMPERA A TRAIÇÃO» («Column South») me marcou. Não foi, certamente, por ser obra de esmerada qualidade, já que eu considero, há muito tempo, que este western militar -realizado em 1953 por Frederick de Cordova- é um dos trabalhos mais fraquinhos da filmografia de Audie Murphy. Na realidade, o que nesta película me marcou foi a cor. «ONDE IMPERA A TRAIÇÃO» foi, efectivamente, a primeira fita colorida que eu vi. Foi por essa razão, que provocou um verdadeiro choque, que eu fiquei fascinado e o guardei na minha memória... Vi esta película colorida por volta de 1957/58. Sei disso por duas razões : a primeira delas,  porque, no modestíssimo cinema do meu bairro, as fitas só eram exibidas uns 3, 4 ou 5 anos depois de estreadas em Lisboa e te terem sido vistas por metade do país. Geralmente, já ali chegavam (ao meu bairro) muito fatigadas, daí o facto de partirem duas ou três vezes durante a projecção e esse facto provocar assobios e protestos verbais; que podiam ir até às ofensas graves dirigidas, de viva voz, aos pobres dos projeccionistas; que, naturalmente, nada tinham a ver com essa deplorável situação. 
A segunda razão para eu me lembrar (aproximativamente) do ano em que, pela primeira vez, me deslumbrei perante esta fita colorida tem a ver com o facto de, por essa época, a chamada Comissão Geral dos Espectáculos colocar barreiras etárias em todos os filmes exibidos em Portugal. E de eu só -naqueles anos- poder apresentar-me (com os meus 12/13 anos de idade) diante do apertado controle da censura; que, nos cinemas modestos, era sistematicamente constituído por um medroso pica-bilhetes e por um representante da autoridade policial. Sendo que, no cinema do meu bairro, este último vestia a farda de um severo e inflexível soldado da Guarda Nacional Republicana. E já agora que falei de «ONDE IMPERA A TRAIÇÃO» (a não confundir, como já adverti noutro 'post', com o filme que, no Brasil, usa o mesmo título) aqui deixo alguma informação sobre essa película.
Conta a história da guarnição de um forte do Oeste, que -em vésperas de rebentar a Guerra de Secessão- tem problemas em assegurar, de maneira coesa, a defesa de um território ameaçado pelos índios Navajos e em entender as manobras dúbias de um general, que quer entregar os efectivos da fortaleza aos dissidentes sulistas. Isso, embora muitos dos oficiais e soldados da guarnição serem fiéis à autoridade federal e favoráveis à sua política da unidade da nação a todo o preço. Esta película tem, no seu elenco artístico e para além do já citado Audie Murphy, os actores Ray Collins, Joan Evans, Palmer Lee, Russell Johnson, Dennis Weaver e Jack Kelly. Foi produzida pela companhia Universal e tem uma duração de 84 minutos. E já agora, deixai-me referir o nome do mágico director da fotografia -a cores- que tanto me fascinou : Charles P. Boyle. Tenho uma excelente cópia deste (quase insignificante) western, que já foi editado em França com o título «L'Héroïque Lieutenant». No Brasil chama-se «Jornada Sangrenta».

BANDA DESENHADA - «LES PIONNIERS DU NOUVEAU MONDE»

Com desenhos e guião de Jean-François Charles -um verdadeiro mestre da escola franco-belga de banda desenhada- esta magnífica colecção comporta (actualmente) 18 álbuns publicados. O primeiro deles surgiu em 1982 e foi imediatamente reconhecido pela crítica como uma obra de esmerada qualidade gráfica e de grande rigor histórico. A acção desta grande aventura começa na Europa do século XVIII (em 1750) e vai prolongar-se no Canadá, aquando da exploração e conquista desse vasto território da América septentrional pelos súbditos do rei de França. Expansão interrompida pela Grã-Bretanha, potência rival dos gauleses dos dois lados do Atlântico. Os heróis desta saga vão viver aventuras extraordinárias, nomeadamente com as nações pele-vermelhas dessa região, implicadas (voluntariamente ou não) nas guerras desencadeadas pelos brancos. Conflitos que têm, muitas vezes, por motivo a apropriação dos territórios dos autóctones e o cerceamento das suas próprias liberdades.
«LES PIONNIERS DU NOUVEAU MONDE» são uma colecção exemplar, com histórias e personangens fascinante. Pena é que, os amadores lusos de banda desenhada não tenham (salvo os francófonos) acesso a esta maravilha publicada pelas edições Glénat, de Grenoble. Esta aventura não se esgotou com o álbum número 18, visto já estar anunciada a saída do prelo do tomo seguinte para o dia 24 de Abril de 2013. Também é pena que, em Portugal, continue a prevalecer a ideia de que a banda desenhada é coisa de gaiatos. O que é, minimamente, ridículo ! Em França -e nos outros países evoluídos da Europa- há mais respeito pela chamada 8ª Arte e uma grande apetência pelos álbuns de BD. Alguns deles (como «XIII», «Largo Wintch» e outros) têm edições que são vendidas a milhões de exemplares...

«SETE HOMENS DO TEXAS»

Esta película foi dirigida em 1968 por William Hale e constituíu uma grande surpresa para os ainda então muito numerosos adeptos do género western. Colorido e com 101 minutos de duração, esta fita reuniu à volta da sua realização alguns excelentes actores, tais como James Caan, Michael Sarrazin, Brenda Scott, Noah Beery Jr  e (num papel secundaríssimo) o novato Harrison Ford. Nunca cheguei a ver este filme nas salas de cinema, nem, tão pouco, nos ecrãs de televisão. Só me foi dado ver «SETE HOMENS DO TEXAS» (Journey to Shiloh») há uma dezena de anos atrás, graças a um amigo que me remeteu uma cassete VHS com uma cópia em muito mau estado. Mas que deu, no entanto, para me aperceber que se tratava de uma obra séria, que eu gostaria (como certamente muitos outros cinéfilos) ver editada em DVD.
Este filme, que alguns especialistas acham ser tecnicamente pouco coeso, é, apesar dessa sua pretensa fraqueza, uma obra interessante; por denunciar -em plena guerra do Vietnam- a desilusão de sete jovens do Texas, que partem alistar-se (cheios de fé e de entusiasmo) no exército da Confederação e que regressam aos seus lares (na realidade só um deles sobreviverá à carnificina) desencantados com o horror de um conflito que nada teve de patriótico ou de glorioso... Parábola evidente sobre o conflito do Vietnam -onde em 1968 os Estados Unidos continuavam a atascar-se- esta meritória fita foi, de toda evidência, prejudicada pelo humanismo pacifista que dela emana. Pela denúncia de uma situação que destrói a juventude e desfaz as suas esperanças. «SETE HOMENS DO TEXAS» tem guião inspirado num romance de Will Henry, intitulado «Fields of Honor». No Brasil, esta fita chama-se «Seis Não Regressaram» e já tem cópia DVD.

A LEI DAS SÉRIES : «GUNSMOKE»

«GUNSMOKE» foi a série mais longa da história da TV norte-americana. Constituída por 635 episódios (divididos por 20 temporadas), esta série western foi, inicialmente, um exclusivo do canal CBS, antes de ser exibida nas televisões do mundo inteiro. A figura nuclear desta ficção é o 'marshall' Matt Dillon, que aqui foi encarnado por James Arness. Actor que ganhou a celebridade internacional graças a «GUNSMOKE». A acção decorre no imediato pós-guerra (de Secessão) em Dodge City, uma turbulenta cidade do Cansas. Devido à longevidade desta série, as 'guest stars' foram variadas e em muito grande número. O comediante Milburn Stone foi o único do elenco que -com Arness- participou em todos os episódios realizados.
Os primeiros 233 episódios de «GUNSMOKE» tiveram uma duração de 30 minutos cada um, tendo sido os posteriores alargados para 50/60 minutos, a pedido do público. A série -que foi premiada com um 'Emmy' (para a melhor série dramática)- foi seguida de 5 telefilmes, que também contaram com a participação de Arness. Este actor foi, por outro lado, nomeado 'marshall' federal honorário, pelo facto de ter personificado, durante 20 anos (entre 1955 e 1975), uma figura representativa dos valores de uma corporação centenária (a 'US Marshalls') que se ilustrou na luta contra o crime. Curiosamente, esta série fora, antes de se tornar um sucesso televisivo, um folhetim radiofónico, também ele difundido pela CBS.

«COMPANHEIROS DA MORTE»

«COMPANHEIROS DA MORTE» («The Deadly Companions») foi -em 1961- o primeiro da meia dúzia de westerns realizados por Sam Peckinpah. Um cineasta californiano (1925-1984) cujos filmes se caracterizam, muitas vezes, pela sua excessiva brutalidade. Esta fita colorida tem uma duração de 90 minutos e conta com a participação artística de Brian Keith, Maureen O'Hara, Chill Willis, Steve Cochran e Strother Martin. «COMPANHEIROS DA MORTE» foi adaptado ao cinema por A. S. Fleischman, que se inspirou num dos seus próprios romances. A fotografia (excelente) é de William H. Clothier e a música de fundo do compositor Marlin Skiles. A história contada é a de um antigo sargento do exército nortista -que, aquando de um assalto mal sucedido, matou acidentalmente uma criança- e que é escolhido pela mãe da vítima para a escoltar, assim como o corpo do menino, através de um território infestado por índios hostis. Entre os outros guarda-costas escolhidos pela mulher (que pretende, com essa arriscada viagem, juntar-se ao marido) figuram dois aventureiros que, aquando da recém-terminada guerra civil, se haviam batido nas hostes confederadas.
Embora sem a maturidade técnica das outras películas a realizar por Peckinpah, este western não é desinteressante e até deixa adivinhar que o seu realizador está prometido a uma grande carreira. Cópia DVD deste filme foi editada no nosso país, aqui há uns anos atrás, pela Cine Digital. Presumo que haverá ainda alguns exemplares à venda nos estabelecimentos especializados. O título brasileiro desta obra de Sam Peckinpah é idêntico ao usado em Portugal.

UMA EXCEPÇÃO INTITULADA «BLACKTHORN»

«BLACKTHORN» não é, verdadeiramente, um western. Primeiramente, porque se trata de uma produção predominantemente hispânica e, depois, porque a sua acção decorre, essencialmente, na Bolívia no ano de 1927. E isso, por si só, bastaria para o afastar do nosso género de eleição e, por consequência, dos 'posts' que aqui vou colocando. Que deve exibir a marca 'made in USA' e cuja trama, segundo os puristas, deve desenrolar-se num espaço geográfico e temporal bem determinado; que não deve transvazar do território dos 'states', do Canadá e do norte do México, nem desenvolver-se para lá de uma data que exceda de muito os primeiros anos do século XX. Se abro aqui uma excepção, é porque «BLACKTHORN» -que eu tive o prazer de ver ontem pela primeira vez- é um filme verdadeiramente apaixonante, com algumas afinidades com o bom western, e, sobretudo, porque tem, como figura central, uma personagem que é familiar a todos os amadores de coboiadas, passe a expressão : a do fora-da-lei Butch Cassidy, que, na companhia de Sundance Kid, chefiou a famigerada Quadrilha Selvagem' ('the wild bunch'). Um bando de bandoleiros que assolou -em finais do século XIX- os territórios de vários estados do Oeste americano, assaltando comboios e pilhando bancos.
Segundo a tradição, com alguma substância história, os líderes dessa temível quadrilha de bandoleiros conseguiram escapar às autoridades ianques e aos agentes da célebre agência de detectives Pinkerton e refugiar-se na América do sul; região onde teriam continuado as suas malfeitorias e onde acabariam por sucumbir sob as balas do exércitoboliviano. Ora, esta fita de Mateo Gil, realizada em 2011, contraria essa versão, dá Butch Cassidy como vivo em 1927 e conta-nos a 'sua' derradeira aventura. O filme é muito interessante, muito bonito, tem excelentes actores, prende a atenção do espectador até ao último minuto. Daí eu não ter o mínimo pejo em chamar a atenção dos westerners para a sua existência em suportes DVD e em 'Blu-ray'. Executada em regime de co-produção (Espanha, Bolívia, EUA, França), esta fita tem um guião (muito hábil) de Miguel Barros e dura 102 minutos. Foi filmada a cores e apresenta, nos principais papéis, os actores Sam Shepard (como James Blackthorn/Butch Cassidy), Eduardo Noriega, Stephen Rea e Magaly Solier. Vale a pena ver !...