sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

«O SEGREDO DA MONTANHA»

«O SEGREDO DA MONTANHA» («Sierra») é o segundo(*) western da farta filmografia de Audie Murphy. Foi realizado em 1950 por Alfred Green, por conta dos estúdios Universal. O herói de guerra contracena, nesta fita, com Wanda Hendrix (com quem ele viria a casar), com Burl Ives, com Dean Jagger e com um novato que, então, respondia pelo nome de Anthony Curtis. Esta fita de baixo orçamento, beneficiou, apesar do seu custo reduzido, de uma belíssima fotografia colorida (de Russell Metty) e de filmagem de exteriores na bonita região de Kanab, no estado de Utah. «O SEGREDO DA MONTANHA», que tem uma duração de 83 minutos, conta a história de uma família (pai e filho), que vive retirada num território de difícil acesso e subsiste da captura e venda de cavalos selvagens. Sobre ela pende a ameaça da lei, já que o pai é acusado da autoria de um crime. Que ele, afinal, não cometeu. A intervenção de uma jovem advogada (Wanda Hendrix), que se interessa, sentimentalmente, pelo filho (Murphy), vai provar a inocência de Lonesome (Burl Ives). Enfim, nada de verdadeiramente excitante no guião de Edna Anhalt, cujo trabalho se inspirou numa novela de Stuart Hardy.
Em contrapartida, o filme em apreço vale pelas seis canções 'folk' interpretadas por Burl Ives. Um cançonetista já, então, consagrado e que acabaria, também, por triunfar como actor, já que a sua carreira lhe valeu dois merecidos óscares da Academia de Cinema. Este western bucólico chama-se no Brasil (como o testemunha a primeira das imagens anexadas) «Serras Sangrentas». A minha cópia desta fita foi-me enviada por um 'westerner' desse país e permitiu-me ver «O SEGREDO DA MONTANHA» pela primeira vez. Aspiro, no entanto, possuir um DVD de melhor qualidade. Para isso conto com o concurso da editora Sidonis-Calysta (de França), que parece apostada em lançar a integralidade dos westerns de Audie Murphy. (*) O primeiro western com Audie Murphy, também ele datado de 1950, foi «A Justiça de Billy» («The Kid From Texas»); que teve realização de Kurt Neumann.

BOMVENTO E OS ÍNDIOS

A imagem anexada ilustra a capa do álbum de banda desenhada «BOMVENTO EM TERRAS DO LAVRADOR». Esta história aos quadradinhos (como se dizia nos meus tempos de menino e moço, quando era leitor assíduo e interessado do 'Cavaleiro Andante' e de 'O Mundo de Aventuras') é da autoria de José Ruy; que executou o desenho e escreveu o texto. O álbum em causa, faz parte de uma colecção (lançada, aqui há uns anos atrás, pelas Edições Asa) consagrada a um navegador português de Quinhentos (criado pelo acima citado artista) de nome Bomvento. Esta aventura levou o nosso herói até à América septentrional, onde Bomvento e os seus companheiros de andanças (capitão Batávias e frei Xira, entre outros) travam conhecimento com os esquimós e com os pele-vermelhas do leste do Canadá. Nesta história para a juventude, as personagens ficcionadas cruzam-se, no Novo Mundo, com um herói autêntico : Miguel Corte Real, que por ali procura encontrar o rasto de seu desaparecido irmão Gaspar. Enfim, «BOMVENTO EM TERRAS DO LAVRADOR» é uma bonita história que eu gostaria que os meus filhos (e/ou os meus netos) tivessem lido na adolescência. Porque, ao mesmo tempo que diverte quem o folheia e lê, tem a virtude de instruir o jovem leitor sobre as pouco conhecidas navegações dos Portugueses naquela região do mundo. Mundo Novo, que eles também ajudaram a descobrir...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A LEI DAS SÉRIES : «THE WILD WILD WEST»

Sou o feliz detentor de todos os episódios desta série televisiva. Que conta 104, distribuídos por 4 temporadas. Concebida para o canal CBS (Columbia Broadcasting System) a série «THE WILD WILD WEST» é um misto de aventuras westernianas, fantásticas e de espionagem. Isto tudo temperado com uma boa dose de humor. Cada episódio tem cerca de 50 minutos de duração e conta com a presença dos actores Robert Conrad e Ross Martin. Estes homens -agentes secretos do presidente Ulysses Grant- formam uma equipa imbatível, sendo o primeiro (no papel de Jim West), um detective arguto, um exímio pistoleiro e um galante sedutor; já o segundo (no papel de Artemus Gordon), é um mestre do disfarce e um inventor de máquinas e de esquemas extraordinários. A acção dos episódios decorre, essencialmente, no Faroeste, para onde os heróis se deslocam no comboio especial do presidente dos Estados Unidos. Outra personagem inesquecível desta série TV é a do Dr. Miguelito Loveless, cujo papel foi representado por Michael Dunn. A série «THE WILD WILD WEST» foi programada  no canal de origem -com bastante sucesso- entre 1965 e 1969. Os primeiros 28 episódios são a preto e branco e os posteriores a cores. O título de todos eles começa pelas palavras «A Noite de...».
A série «THE WILD WILD WEST» deixou de ser exibida pela CBS em 1969. Não por falta de audiência, mas pelo facto de ter sido acusada de 'violência'. Acusação que, hoje, dá vontade de rir. Vários telefilmes e longas metragens (entre os quais figura um famoso filme de Barry Sonnenfeld,  com Will Smith, Kevin Kline e Kenneth Brannagh) se inspiraram desta série-culto dos anos 60. Que, naturalmente, deixou muitas saudades e, consequentemente, inúmeros fãs. No mundo inteiro.

PALAVRAS DE UM HOMEM SÁBIO

«Há no mundo dos homens brancos pessoas riquíssimas e pessoas que morrem de fome. Na nossa sociedade, se alguém tem fome é porque todos os seus semelhantes sofrem com fome. No mundo dos brancos, um homem é importante quando pode ostentar as suas riquezas, enquanto, entre nós, um homem conta no conceito dos outros por aquilo que ele oferece. Eu sou muito importante para o meu povo, porque -apesar de todos os meus poderes- não possuo nada». /////////////////////// (citação de Tatanka Yotanka, aliás Sitting Bull, Sioux Hunkpapa)
/////////// -Se, por obra e graça do Grande Espírito, Touro Sentado voltasse à Terra, seria -tal como Jesus Cristo- acusado de conluio com os comunistas... O que, nos Estados Unidos de hoje (e de sempre) é considerado um crime imperdoável.

PROCURA-SE : «DIA DE FÚRIA»

Há muitos anos que procuro -novo ou velho- o filme «DIA DE FÚRIA» («A Day of Fury»), realizado em 1956 por Harmon Jones. Esta película colorida nunca teve (pelo menos que eu saiba) edição videográfica na Europa. Mas é, segundo me disseram, uma fita com a qualidade necessária para que venha a tê-la. Só que isso depende, quase sempre, do conhecimento, da sensibilidade e do interesse das pessoas que vivem do negócio da gravação de DVD's; que muitas vezes direccionam as suas preferências para as novidades (mesmo sem valor cinematográfico evidente), em vez de se interessarem pelos clássicos. Que, ao que parece, vendem menos... «DIA DE FÚRIA» (que se chama «Domingo Sangrento» no Brasil e «24 Heures de Terreur» em França) é protagonizado por Dale Robertson, Mara Corday e Jack Mahoney. Tem uma duração de 78 minutos e foi rodado por conta dos estúdios Universal.
Esta série B de Harmon Jones conta a história do xerife (Jock Mahoney) de uma localidade do Oeste, que é pressionado pelos seus administrados para por termo aos distúrbios provocados por um aventureiro (Dale Robertson), que vive, provocatoriamente, à margem da lei. Só que o sujeito em questão é o mesmo que, algum tempo antes, salvara a vida do representante da autoridade; e que este, por essa razão, sente alguns escrúpulos em cuprir o seu dever...

ESTÚDIOS UNIVERSAL, HOLLYWOOD, CALIFÓRNIA

Passagem obrigatória de todos os cinéfilos que visitam a Califórnia, os estúdios Universal, em Hollywood, são -para além de um grandioso parque de diversões inteiramente consagrado à 7ª Arte- um verdadeiro mundo de emoções. Estive lá em 1999, aquando de uma inesquecível viagem de 15 dias (que me souberam a pouco), que me levaram, também, a Kanab (no estado do Utah), onde foram rodados tantos westerns, a Monument Valley, na reserva Navajo do Arizona e a muitos outros sítios quase míticos, ligados (pelo nome e pela imagem) à saga do Oeste americano.
Mas, voltando aos estúdios Universal e à fotografia publicada neste 'post', quero referir que estive neste local consagrado ao cinema western, onde, várias vezes por dia, os duplos do estúdio recriam, ao vivo, cenas típicas de um género que a Universal International ajudou a propagar através de um número incalculável de películas. Que todos nós vimos nas pantalhas dos nossos cinemas de bairo, na TV ou, agora, graças ao milagre proporcionado pelos DVD's ou pelos discos 'Blu-ray', nos ecrãs domésticos. Gostaria de voltar ali, mas tenho receio que já seja demasiado tarde. A idade não perdoa e, pior do que isso, o ministro Gaspar e outros figurões da sua espécie secaram-nos a carteira... As magras pensões de reforma dos Portugueses (que trabalharam e produziram riqueza) só dão (actualmente e até ver) para assegurar a sobrevivência.

«TROOPER HOOK»

Esta fita de Charles Marquis Warren -que a realizou em 1957-nunca foi exibida comercialmente nas nossas salas de cinema. Nem, tampouco, nas salas de França. Estranho ! E a verdade é que ninguém me sabe explicar porque razão é que ela foi ostracizada pelos distribuidores destes países. Podemos, naturalmente, fazer suposições. Que de nada valem, se a nossa teoria não for confirmada. Eu cá por mim, estou convencido que, no que a Portugal diz respeito, a interdição do filme terá a ver com o facto da heroína deste bom western ter um filho concebido aquando de uma violação e, também, porque esse filho é fruto de uma união entre duas pessoas de raça diferente. Não sei porquê, mas tudo isto me cheira ao racismo preconceituoso dos homens da censura. Que, no tristonho Portugal desse tempo, não estavam com contemplações. Cortavam, cortavam e tornavam a cortar. Até, por vezes, não sobrar nada. Por esta ou por outra misteriosa razão, a verdade é que os westernófilos perderam a ocasião de ver um filme impregnado de humanismo e com intérpretes de qualidade, de entre os quais se destacaram Barbara Stanwyck e Joel McCrea. A história centra-se no tempo das Guerras Índias e refere a captura de uma mulher (branca e casada) pelos Apaches. Mulher que é tomada por esposa por Nanchez, um chefe de bando que lhe faz um filho. Anos mais tarde, esse clã pele-vermelha é capturado pela cavalaria e mãe e filho são libertados. E os problemas começam para os ex-cativos, que são violentamente discriminados pelas populações (brancas) da região. Até o legítimo esposo da senhora lhe cria problemas, pelo facto dela ter sido forçada a viver maritalmente com um índio... Felizmente, está ao lado dela e do seu filho mestiço um certo sargento Hook, um militar que admira a sua coragem física e a sua grandeza de espírito. E que (final feliz 'oblige') está decidido a tomá-la por companheira. Todos já adivinharam que a mulher em questão é encarnada nesta fita por Barbara Stanwyck e que o papel do sargento Hook coube a Joel McCrea. Resta dizer que esta fita foi produzida pela United Artists, tem uma excelente fotografia a preto e branco de Ellsworth Fredericks e uma duração de 81 minutos. «TROOPER HOOK» já tem DVD em Espanha (ver imagem anexada), intitula-se no Brasil «Vingança no Coração» e é conhecida em França (onde os meus amigos westernófilos me arranjaram uma boa cópia da televisão) pelo seu título belga : «Femme d'Apache».