sábado, 4 de maio de 2013

UM APACHE CHAMADO GOYATHLAY, ALIÁS GERONIMO

Estas fotografias foram tiradas -por Camillus Sidney Fly- no chamado Cañon de los Embudos (algures no norte do México) no mês de Março de 1886. E retratam um acontecimento de importância histórica, já que ilustram a rendição do caudilho apache Geronimo às autoridades norte-americanas. O famoso líder da resistência ameríndia é (na foto de topo) o último a contar da esquerda para a direita. É aquele que ostenta a espingarda Springfield (a arma mais antiquada visível), que foi regulamentar na Infantaria dos Estados Unidos. Na segunda foto, Geronimo apresenta-se (à esquerda) sentado e de face para o fotógrafo. Guerreiro temerário e grande estratego, vencedor (em batalhas e escaramuças passadas) das tropas dos generais George Crook e Nelson Miles, sempre superiores em número e melhor armadas e municiadas, Geronimo fiou-se nas promessas dos brancos, rendeu-se e acabou por ser desterrado para a Florida. Morreu em 1909 numa miserável reserva do Oklahoma, sem nunca ter voltado a ver, como desejou, a sua região natal. Se este homem tivesse sido de raça branca e não se tivesse levantado contra as forças militares de ocupação da sua terra, tinha hoje mil estátuas erguidas em todo o território dos Estados Unidos. Nação que chegou a mobilizar contra ele e contra o punhado de guerreiros esfaimados e mal equipados que ele chefiou, 1/3 dos seus efectivos militares. Muitos filmes de Hollywood concorreram para fazer de Goyathlay (seu verdadeiro nome) uma fera sanguinária, um selvagem com as mãos manchadas do sangue dos inocentes. Até que, em 1993, Walter Hill lhe consagrou uma película («Jerónimo - Uma Lenda Americana») que repunha a veracidade dos factos e que lhe rendia homenagem. Nessa película -que recomendo vivamente aos hipotéticos leitores deste blogue- o papel de Geronimo (ou Jerónimo, como teimam chamar-lhe os nossos compatriotas) é interpretado por um verdadeiro ameríndio : Wes Studi. Ainda a propósito deste heróico caudilho da nação Apache, surpreendi-me, recentemente, com vários textos (lidos na Internet) que o tratam de talibã. Será isto ignorância ou é, simplesmente, falta de vergonha ? (Clicar nas fotografias para as ampliar).

«AMA-ME COM TERNURA»

O título original deste western de Robert D. Webb (1956) é «Love me Tender» e foi sugerido por uma das melodias que Elvis Presley canta no filme. Com uma distribuição artística interessante, já que o elenco de «AMA-ME COM TERNURA» compreende -também e para além do referido 'rocker'- os actores Richard Egan e Debra Paget, este filme, produzido pela companhia 20th. Century Fox, conta-nos a história de três soldados confederados que, sem terem conhecimento de que a guerra terminara, sacam ao inimigo nortista uma soma importante. De regresso a casa -onde um deles julga ter a namorada impacientemente à sua espera- e já conhecedores de que o seu acto se reveste de ilegalidade e os assimila a banais salteadores, os irmãos Vance, Brett e Ray Reno decidem, no entanto, guardar o dinheiro. Mas as coisas vão tomar um rumo diferente ao esperado. Primeiramente, porque a namorada de Vance já está casada com o Benjamim da família. Em seguida, porque agentes do tesouro federal exigem a entrega imediata do dinheiro roubado... Este western psicológico, que foi o primeiro de todos os filmes do rei do 'rock n' roll', foi filmado a preto e branco e tem 89 minutos de duração. O meu DVD é de origem gaulesa. O título brasileiro de «AMA-ME COM TERNURA» é idêntico ao usado em Portugal.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

«PILARES DO CÉU»

«PILARES DO CÉU» («Pillars of the Sky») foi realizado por George Marshall em 1956. Com um entrecho que se desenrola no noroeste dos Estados Unidos em finais do século XIX, esta fita relata um conflito entre militares e uma tribo local. Tribo que, apesar de evangelizada e controlada pela autoridade dos brancos, não está disposta a deixar que uma estrada atravesse os seus ancestrais territórios de caça. A par deste problema, surge um conflito no seio da instituição militar causado pela paixão que dois graduados sentem pela mesma mulher... Gosto deste western, cujo quadro e atmosfera são sensivelmente diferentes dos outros filmes do género. Com Jeff Chandler, Dorothy Malone, Ward Bond, Lee Marvin, Sydney Chaplin, Michael Ansara, etc. «PILARES DO CÉU» é uma película colorida produzida pela companhia Universal e com uma duração de 95 minutos. Já tem edições DVD em vários países da Europa e também no Brasil, onde o seu título é «Pilastras do Céu».

«ANOS DE VIOLÊNCIA»

Com estreia em 1956, esta fita realizada por Rudolph Maté tem, nos papéis de relevo, os actores Tony Curtis, Colleen Miller, Arthur Kennedy e Peter van Eyck. A história contada é a de um jovem aventureiro que é acusado, injustamente, de ter assassinado um rancheiro muito estimado na região do Oeste onde vivia. Tendo conseguido escapar aos 'lynchadores', o jovem afasta-se e passa a usar uma identidade falsa. Mas regressa três anos mais tarde, para ver a namorada e para tentar encontrar os criminosos que determinaram o seu exílio. Sem ser o melhor filme de Maté, «ANOS DE VIOLÊNCIA» («The Rawhide Years») pode ser considerado (sem favor) um bom western. Esta película tem a chancela dos estúdios Universal, foi filmado a cores e tem uma duração de 88 minutos. Tenho duas excelentes cópias deste filme, provenientes de Espanha e de França. Título brasileiro : «O Vício Singra o Mississippi».

O WYOMING EM TODO O SEU EXPLEDOR

Esta fotografia (em glorioso preto e branco) é da autoria do artista norte-americano Ansel E. Adams (falecido em 1984), que a tirou no ano de 1925. Mostra uma belíssima paisagem do Wyoming : as montanhas do Grand Teton e o rio Snake. Este território faz, hoje, parte integrante de um Parque Nacional, no qual a Natureza está devidamente protegida pelas leis federais.

SANGUE INGLÓRIO

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Como nódoas azuis sobre a campina,
Repousam, às dezenas, imóveis, hirtos,
Expostos às feras, às aves de rapina
E aos facalhões de arrepiantes ritos.

Eram soldados de um sétimo regimento,
Que ao som de irlandesa e fera melodia,
Iam destroçar índios em seu acampamento,
Levados por quem lá do alto lhes sorria.

Desenfreado Cavalo Louco que ali andava,
Mais um Touro Sentado que dançava
Desfizeram-lhes os sonhos de vã glória,

Despejando sobre eles frechas, metralha,
Gritos, uivos de lobo, crocitos de gralha,
Selando, num cru instante, a sua história.

(Johnny Portugal)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

«DECISÃO DE UM COBARDE»

Excelente western de Abner Biberman, estreado em 1957. Com Fred MacMurray, Jeffrey Hunter, Janice Rule, Dean Stockwell e Chill Wills nos papéis principais, este verdadeiro filme de cowboys introduz-nos numa família constituída por três irmãos, que exploram um rancho de vocação ganadeira. O segundo desses manos é um rapaz de grande sensibilidade (erradamente apontado como um cobarde), que se acusa a si próprio de ser o responsável pela morte do pai e, mais tarde, da própria mãe. Outro drama existencial se vem juntar aos seus problemas, quando ele se enamora da jovem que está prometida ao primogénito... A realização de «DECISÃO DE UM COBARDE» («Gun for a Coward») é cuidadosa e o trabalho dos actores muito bom. O que concorre para fazer desta película uma obra de qualidade, que se distingue da maioria dos westerns do tempo pela sua carga psicológica; que aqui se sobrepõe à acção, sem prejuízo desta. Produzido pela companhia Universal, este western foi filmado a cores e tem 84 minutos de duração. No Brasil, intitula-se «Arma para um Covarde». Tenho uma belíssima cópia DVD desta fita, proveniente de França, país onde já foi editado.