quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O 'RENDEZ-VOUS' DOS HOMENS DA MONTANHA

O 'rendez-vous' era um encontro anual organizado, geralmente no mês de Julho, pelos caçadores das montanhas Rochosas. O local de encontro era previamente combinado e reunia, para além dos homens brancos que consagravam a sua vida à captura dos castores -cujas peles valiam ouro- membros das diferentes nações ameríndias, comerciantes vindos de localidades distantes (como St. Louis) e aventureiros de toda a espécie. Uma treva, entre inimigos e rivais, era estabelecida enquanto durava esse período festivo, durante o qual os participantes faziam negócios, participavam em corridas de cavalos e concursos de tiro ao alvo, organizavam lutas entre si e se entregavam a bebedeiras colectivas. Os negócios baseavam-se, em princípio, na troca de peles e de outros produtos da caça por géneros alimentícios (carne fumada, farinha, café, álcool), tabaco, mantas, bugigangas, recipientes (panelas, chaleiras), armas, pólvora e munições, machados, facas, etc, etc. Era também durante esse período de folguedos que os rudes homens da montanha contraíam casamentos com as únicas mulheres disponíveis naquelas recônditas e selvagens paragens : mulheres indígenas pertencentes a diferentes grupos étnicos do Faroeste. Geralmente o 'matrimónio' concretizava-se após a oferta ao pai da 'noiva' de um presente de valor; que podia ser uma cobiçada espingarda, um lote de bugigangas negociáveis, cavalos ou umas botijas de rijo uísque. O homem branco saía sempre a ganhar deste negócio, porque as mulheres ameríndias, para além de serem dóceis e dedicadas ao seu homem, eram trabalhadeiras e muito entendidas na preparação das peles de castor; que, depois do animal esfolado, elas pacientemente raspavam, secavam e preparavam em fardos prontos para serem vendidos a quem mais desse. Terminados os festejos do 'Rendez-vous', os participantes voltavam aos seus lugares de procedência (regiões de caça, acampamentos de Verão, localidades de origem) para se entregarem às suas actividades normais. O Inverno era -no que respeitava aos caçadores, brancos ou ameríndios- aproveitado para descansar; até à Primavera, época ideal para dispersar armadilhas e para refazer os 'stocks' de peles, que se negociariam no próximo e jubilatório encontro. Este hábito perdeu-se com a escassez de animais e também com a mudança dos gostos dos janotas do leste ou da Europa. Que, a partir de certa altura, começaram a desprezar a matéria-prima em questão. Hollywood mostrou o clima de festa eufórica que presidia a estes encontros. Estou-me a lembrar de filmes como, por exemplo, «Assim São os Fortes» («Across the Wide Missouri», de William Wellman, 1951) ou de «Os Homens da Montanha» («The Mountain Men», de Richard Lang, 1980) e, também e muito especialmente, da mini-série televisiva «Centennial», cujo título português desconheço.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

«CARGA HUMANA»

Contrariando a boa vontade do capitão Hunt, que tenta estabelecer laços de bom entendimento com os pele-vermelhas, o ministério da guerra decide entrar em conflito aberto com Acoma, o seu chefe. «CARGA HUMANA» é um filme colorido e com 76 minutos de duração, realizado -em 1951- por Irving Reis, para a Irving Ayres Production. Infelizmente, nunca vi esta fita, que contou com a colaboração dos conhecidos actores Lew Ayres, Marilyn Maxwell, Andy Devine, Raymond Burr, Jeff Corey, Ted de Corsia e John Hoyt. Título brasileiro : «Homens Verdadeiros».

«O ÚLTIMO DUELO»

«O ÚLTIMO DUELO» («The San Francisco Story») fala-nos da luta travada por dois amigos contra a corrupção política que grassa na Cidade da Porta Dourada, em meados do século XIX. Quando San Francisco era, mercê da descoberta do ouro californiano, uma das cidades mais prósperas do Oeste dos Estados Unidos. Uma história de amor floresce entre um dos justiceiros e uma mulher próxima de um dos políticos indelicados... Esta película, que tem a chancela dos estúdios Warner Bros., foi realizada, em 1952, por Robert Parrish e conta com as interpretações -nos principais papéis- de Joel McCrea e de Yvonne de Carlo. Filme com fotografia a preto e branco e com 80 minutos de duração. Título brasileiro «Pecadores de San Francisco».

«O SABRE E A FLECHA»

Esta película -produzida para os estúdios Columbia- foi realizada, em 1953, pelo excelente cineasta André de Toth. «O SABRE E A FLECHA» («Last of the Comanches») contou com a participação artística de Broderick Crawford, Barbara Hale, Johnny Stewart, Lloyd Bridges e Mickey Shaughnessy. Este filme colorido e com uma duração de 85 minutos coloca-nos no Oeste americano por volta de 1876 e conta-nos um episódio (ficcionado) da guerra travada entre a cavalaria dos Estados Unidos e os temíveis Comanches. Não nos trouxe nada de novo, a não ser a confirmação do 'savoir-faire' do seu realizador. Eu gostaria, no entanto, de arranjar uma cópia conveniente de «O SABRE E A FLECHA», para substituir a cópia tosca que possuo e que foi gravada, há muitos anos, numa TV estrangeira. Título no Brasil idêntico ao usado em Portugal.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

FAMÍLIA UTE

Esta autêntica fotografia de uma família de índios Ute data de fins do século XIX. De uma época em que esta orgulhosa e aguerrida nação autóctone das montanhas Rochosas já havia (há muito) deposto as armas e aceitado a infamante  'pax americana'. O chefe de clã, conhecido pelo nome de Severo, representa aqui a mais velha de três gerações. Atente-se no casaco azul (debotado e com galões do exército) do chefe; que pertenceu, sem dúvida, a um oficial da cavalaria dos Estados Unidos.

CHASCO ESTÁ A CHEGAR !

Criada pelo desenhador Ronald Guimarães e pelo argumentista Wilson Vieira (ambos brasileiros), a figura de Chasco -um novo herói westerniano- está em vias de aparecer por aí e de fazer a sua entrada triunfal no extraordinário mundo da banda desenhada. O álbum inicial já tem nome : «Na Trilha dos Abutres»; e terá, segundo informações credíveis, 140 páginas. Inspirado num dos 'homens sem nome' do westerm 'spaghetti', o principal protagonista desta história aos quadradinhos é, ao que parece, um aventureiro que calcorreia as pistas poeirentas e as localidades ('muy peligrosas') da fronteira mexicana. Cá o esperamos. E, verdade seja dita, com alguma impaciência...

QUÉ VIVA MEXICO Y ZAPATA TAMBIÉN !!!

Emiliano Zapata, 'el Caudillo del Sur', viu-se constrangido à rebeldia permanente : lutou sucessivamente -ao lado dos seus inúmeros seguidores- contra os regimes de Diaz, Madero, Huerta, Carranza... Procurando sempre conquistar melhores condições de vida e mais justiça para os seus compatriotas mais desprotegidos. O falhanço da sua aliança com Pancho Villa (outra figura incontornável da Revolução mexicana) precipitou a queda de ambos. Zapata foi atraído a uma cilada na 'hacienda' Chinameca e aí foi assassinado no dia 10 de Abril de 1919. Com uma vida tão prenhe de acção, é natural que Hollywood se tivesse aproveitado das aventuras de Zapata e as tivesse convertido nos filmes que todos recordam. O mais famoso de entre eles foi, sem dúvida, «Viva Zapata !», realizado em 1951 por Elia Kazan e com Marlon Brando no papel do grande revolucionário. Tal como os filmes sobre a guerra de Secessão, as fitas com acção decorrente durante o período revolucionário mexicano são assimiladas, pelos westerners, ao seu cinema de eleição. 'À tort ou à raison'. Daí, a existência deste 'post' no blogue WESTERNSAGA45.