quinta-feira, 18 de abril de 2013

A ARTE DE KEN STOCKTON


O artista norte-americano Ken Stockton intitulou esta sua tela «Desert Nectar» e nela representou -com o talento que a obra evidencia- duas rolas debicando o néctar oferecido pelas flores de um cacto. Em pano de fundo, a paisagem agreste (mas bonita) de um recanto do deserto de Sonora...

«A FÚRIA DAS ARMAS»

«A FÚRIA DAS ARMAS» («Gun Fury») é um dos bons westerns de Raoul Walsh, cineasta que é, reconhecidamente, um dos grandes especialistas do género. Estreado em 1953, foi, uma das primeiras 'coboiadas' coloridas que eu vi. Imaginem, pois, o deslumbramento e a simpatia que eu nutro por esta película. Que foi rodada para a companhia Columbia Pictures e que contou com a participação artística de Rock Hudson, Donna Reed, Phil Carey e Roberta Hayes. A história contada é a de uma passageira de diligência que, em vésperas de casar com um rancheiro californiano, é raptada por um notório e temido fora-da-lei. E a da perseguição que é movida ao bandoleiro pelo frustrado noivo. Bem feito -que era o mínimo esperado de um realizador como Walsh- e com muita acção, «A FÚRIA DAS ARMAS» é um western típico da década dos 50, do tempo em que o género era o preferido das plateias populares. Mas não só... Tenho uma excelente cópia em DVD de editor. Este filme é conhecido no Brasil pelo título «Irmãos Inimigos». Foi também filmado em 3D, técnica que, ao tempo, não logrou obter o sucesso esperado.

«TERRA MALDITA»


Esta fita de Alfred Werker (1953), que tem o título original de «Devil's Canyon», conta a história de um xerife que abate um homem em estado de legítima defesa e para impor a lei, que ele jurou defender. Vítima, no entanto, da letra de um novo decreto, esse representante da ordem é julgado e condenado a uma pesada pena de prisão. E vai cumprir o seu castigo na penitenciária onde já se encontra o irmão do homem que ele abateu... «TERRA MALDITA» -que conta com a participação do simpático par formado por Dale Robertson e Virginia Mayo- é uma série B, sem grande fôlego; que, curiosamente, foi filmada em 3D. De notar é, ainda, a presença de Stephen McNally e a de Arthur Hunnicutt. Colorida e com 92 minutos de duração. O seu título brasileiro é «Mais Forte que a Lei». Tenho uma cópia desta película gravada num canal estrangeiro. «TERRA MALDITA» chegou a ser editado em cassete VHS em Portugal, pela Edivídeo.

«AHÍ VIENE MARTIN CORONA»

Não se trata de um 'mexican western' -termos pelos quais se designam, geralmente, as fitas do Oeste com acção decorrente a sul do Rio Grande- mas de um filme mexicano com cheirinho a western. «AHÍ VIENE MARTIN CORONA» (que, ao que me parece, não estreou em Portugal) foi produzido pela companhia de Miguel Zacarias -que também realizou a fita, em 1952- e tem os actores Pedro Infante, Sarita Montiel, Eulalio Gonzalez 'Piporro', Armando Silvestre e Florencio Castelló a encarnar as suas principais personagens. Inspirado num popular folhetim radiofónico, «AHÍ VIENE MARTIN CORONA» é baseado numa receita simples, mas que teve grande sucesso no México : cavalgadas, tiros e 'rancheras'. Pedro Infante representa aqui o papel de um Robin Hood local, que se enamora de uma bela artista espanhola. Que aceita desposar Martin Corona, se ele renunciar ao seu perigoso papel de justiceiro. Nunca vi este filme, mas ainda tenho esperanças de, um dia, deparar -ali, na vizinha Espanha- com uma cópia DVD. Esta fita foi filmada a preto e branco e tem uma duração de 90 minutos aproximadamente.

«CÉU VERMELHO»


«CÉU VERMELHO» («Blood on the Moon») é um western de 1948, realizado por Robert Wise por conta da companhia RKO Pictures. Tem, nos principais papéis, os actores Robert Mitchum, Walter Brennan, Barbara Bel Geddes, Robert Preston, Phyllis Thaxter e Frank Faylen e conta a história de uma rivalidade (que descamba em combate armado) entre dois poderosos rancheiros do Oeste. A personagem encarnada por Mitchum -a de um exímio pistoleiro- é contratada por uma das partes; mas rapidamente se dá conta de que está do lado errado e muda de campo... Até porque, no outro partido, está a moça por quem ele se apaixonou. Óptimo filme (a preto e branco e com 88 minutos de duração) sobre a ambição, que tenta sobrepor-se à justiça. Título no Brasil : «Sangue na Lua».

terça-feira, 16 de abril de 2013

ARMAS DO OESTE : O REVÓLVER STARR DE 1863 CALIBRE 44 (SA)

Realizado, como todos os outros modelos da marca Starr Arms Company, nas fábricas de Binghampton e de Yonkers (em Nova Iorque), o revólver Starr 44 'Simple-Action' substituíu o 'Double-Action'; que revelou alguns problemas de utilização e foi posto de parte pelo exército da União, seu comanditário. Concorrente dos Colt, Remington e Smith & Wesson -que se revelaram superiores- os revólveres Starr foram, todavia, armas apreciadas. A tal ponto, que em plena Guerra de Secessão, 23 000 exemplares do modelo em apreço chegaram a ser fornecidos às tropas fiéis ao governo de Washington. O Starr 44 SA era uma arma de utilização simples e de manutenção fácil. Tinha um tambor de 6 tiros, que disparava projécteis, de forma esférica ou ogival, contidos num cartucho de papel. Embora, no período pós-guerra e após modificação, vários destes revólveres tenham adoptado as cápsulas de liga metálica. Esta arma foi desenhada por Ebnezer Towsend Starr, inventor e criador da marca. O Starr 44 SA foi vendido ao exército pelo preço unitário de 12 dólares, soma que equivale, nos nossos dias, a 224 dólares. Mas a marca (que desapareceu em 1867, devido à feroz concorrência dos seus acima mencionados rivais) forneceu outros revólveres aos militares nortistas, como, por exemplo, o Starr 'Navy' de calibre 36. Assim, estima-se que -durante a guerra civil- o número de armas de punho colocadas à disposição dos elementos das forças nortistas tenha ultrapassado as 47 000 unidades. Depois do conflito, muitas delas foram desclassificadas e apareceram nas mãos de civis. nomeadamente de gente do Oeste, lugar onde a vida era algo perigosa, mormente por causa da resistência dos pele-vermelhas à colonização das suas terras. Mas, não só. Os anos do pós-guerra foi, nessa vasta região, um período de recrudescência do banditismo e possuir uma ou várias armas era, nessa época, quase que uma garantia de sobrevivência para aqueles que as possuiam.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

«SOLDADO AZUL»

Para a breve apresentação deste filme de Ralph Nelson (1970), vou limitar-me a transcrever (na nossa língua) o texto da contracapa de uma das suas edições DVD francesas : «Esta é a verdadeira história de uma tribo Cheyenne, que foi massacrada -no dia 29 de Novembro de 1864- por 900 homens da Cavalaria do Colorado; que, nesse dia, assassinaram mais de 350 mulheres e crianças, arrancaram uma centena de escalpes de índios e cometeram inúmeras violações...». Filme polémico, certamente por causa dos crimes que denuncia e que estão resumidos nas linhas que acima revelo, «SOLDADO AZUL» («Soldier Blue») é uma obra honesta, que denuncia um episódio real (o massacre de Sand Creek) da guerra movida pelos brancos às nações ameríndias da Grande Pradaria. Esta fita colorida (e com 114 minutos de duração) é reveladora daquilo que foi, na sua parte mais sombria e mais crua, a Conquista do Oeste. Durante a qual, os povos autóctones foram submetidos a violências e a vexames sem nome. Obra de visionamento indispensável, esta fita colorida (que, no Brasil, se intitula «Quando É Preciso Ser Homem») foi produzida pela companhia Avco Embassy e tem Candice Bergen, Peter Strauss e Donald Pleasence nos principais papéis. Atente-se, também, na lancinante canção «Blue Soldier», magistralmente interpretada pela cantora ameríndia Buffy Saint Marie. Como, aquando da sua estreia, os E.U.A. se encontravam atolados na guerra do Vietnam, muita gente viu em «SOLDADO AZUL», e não sem razão, uma denúncia das atrocidades que se estavam a cometer nos campos de batalha do sudeste asiático. Não sei se existe, em Portugal, uma edição videográfico deste filme; mas sei que em Espanha é comercializada uma cópia  DVD de «SOLDADO AZUL» com legendas em língua portuguesa.