sexta-feira, 2 de novembro de 2012
...THE WEST AS IT REALLY WAS !
Neste cartaz promocional da película «A CAVALGADA HERÓICA», de John Ford, é dito que a história contada se passa no 'Oeste como ele realmente era'. Não sei se isso corresponde totalmente à verdade ou se é apenas propaganda. O que eu sei é que este western do mestre foi uma das películas que fez entrar este género de cinema na idade adulta e lhe que lhe concedeu pergaminhos. Adoro esta fita exemplar, que Ford rodou em Monument Valley, e que ele pretendeu ser inspirada no romance «Boule de Suif», do escritor normando Guy de Maupassant. É verdade que estas obras têm evidentes afinidades. Contam, ambas, as horas angustiadas passadas numa diligência ameaçada por um terrífico inimigo. Na fita de Ford esse inimigo é Geronimo, o belicoso caudilho Apache, que impede a livre circulação do coche pelas pistas poeirentas que ligam Tonto (no Arizona) a Lordsburg (no Novo México); no livro de Maupassant os adversários são os lanceiros prussianos -da guerra de 1870- que constituem um perigo letal para os passageiros da diligência : vários burgueses de Rouen, uma colega de profissão de Dallas e um resistente, feroz adversário dos alemânicos. Já agora, a propósito do cartaz apresentado, pode lamentar-se a ausência (no dito) de personangens tão importantes como o médico, a esposa do oficial de cavalaria e o xerife...
NINGUÉM AMA UM HOMEM GORDO...
'Ninguém ama um homem gordo' é a frase promocional do western mudo «THE ROUND UP» (1920), protagonizado pelo cómico Roscoe 'Fatty' Arbuckle; que foi uma das maiores estrelas de cinema dos tempos que precederam o sonoro. Amigo e conselheiro de Charlie Chaplin, Arbuckler foi, também, um 'descobridor de talentos', que ajudou a lançar Buster Keaton e Bob Hope, entre outros. Este actor valia-se da sua desgraciosa silhueta (era obeso, numa altura em que, nos Estados Unidos isso ainda fazia rir) para criar situações divertidas, que enchiam as salas de espectáculos de todo o país. Era também um profissional muito bem pago, chegando a assinar um contrato de exclusividade com a Paramount (em 1921 !) por 1 milhão de dólares, soma faraminosa para o tempo. Morreu em 1933, em consequência de um ataque cardíaco. Tinha 46 anos de idade... «THE ROUND UP» foi um dos filmes escolhidos para ser exibido na retrospectiva consagrada a este esquecido actor pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, em 2006. Bob Hope, um dos protegidos de Arbuckle, relançaria -nas décadas de 40 e posteriores- a tradição do western burlesco. Vêmo-lo aqui (na foto, à esquerda, ao lado da belíssima Jane Russell e de Roy Rogers). O filme publicitado nesta imagem é «O FILHO DO VALENTÃO» («Son of Paleface»), realizado em 1952 por Frank Tashlin. Bob Hope, que era de origem inglesa, faleceu em 2003, de pneumonia, com 100 anos de idade.
A LEI DAS SÉRIES : «DOUTORA QUINN»
Confesso que ainda não tenho a certeza se esta série (que, ao que me disseram, teve transmissão televisiva no nosso país nos anos 90) recebeu por cá o título em epígrafe. Sei que no Brasil foi divulgada como «Dr. Quinn, a Mulher que Cura» e que o título original é «Dr Quinn, Medecine Woman», mas nada de certezas, repito, quanto ao título nacional. O que é, deveras, lamentável; mas que se justifica pela falta de referências sobre o assunto, mesmo na Internet. De qualquer modo, queremos dizer que esta série TV teve grande êxito nos países de língua inglesa, mas não só. Eu até posso testemunhar do seu suceso em França, país onde vivi muitos anos e onde vi os primeiros episódios das primeiras temporadas. Estreada, em 1993, no canal norte-americano CBS, esta série durou até 1998. Compreende 150 episódios (a maioria dos quais com 50 minutos de duração) distribuídos por 6 temporadas e tem -nos principais papéis- os actores Jane Seymour (Dra. Michaela Quinn) e Joe Lando (Byron Sully). A série conta-nos a história de uma jovem médica de Boston, que inconformada com a discriminação sexista de que é alvo na sua cidade natal, parte para uma pequena localidade da Fronteira chamada Colorado Springs, onde a desconfiança dos habitantes (sobretudo do sexo masculino) ainda é pior em relação à sua pessoa e à sua profissão. Mas, à força, de coragem, de amor pela sua arte e de muita abnegação, a Dra. Quinn acaba por impor a sua ciência e por desfazer (ao longo dos episódios) muitos preconceitos. Essa sua luta quotidiana será apoiada, moralmente, pelos seus filhos adoptivos e por um rude pioneiro (amigo dos índios) chamado Sully; que acabará por se tornar o seu confidente, antes de a desposar. Enfim, «DOUTORA QUEEN» é uma série bonita, agradável de se ver e que transmite uma mensagem positiva (de trabalho, de tolerância, de amizade, de amor pelo próximo e pela natureza) aos telespectadores. Eu tenho as duas primeiras temporadas (versão francesa) e pretendo (pouco a pouco) adquirir a integralidade desta bonita série. Isto, naturalmente, se o 'nosso' ministro das finanças nos deixar alguns tostões nos bolsos. O que não é garantido, num país onde se aposta no empobrecimento generalizado dos portugueses...
«A MÁSCARA DE UM FUGITIVO»
O western «A MÁSCARA DE UM FUGITIVO» é, quanto a mim, o melhor filme da carreira de Paul Wendkos. Praticamente desconhecida, mesmo dos amadores do género, esta simpática fita, realizada em 1959, tem como principal protagonista um astuto foragido (cujo papel é interpretado, e muito bem, por Fred MacMurray), que consegue passar através das malhas que a polícia estende par o capturar, chegando ao ponto de se integrar na patrulha que o persegue. Regenerado, graças ao amor de uma mulher, o fora-da-lei acaba por prestar um serviço de grande importância para a comunidade (onde ele agora vive e se quer integrar plenamente), valendo-lhe esse gesto de boa vontade a clemência dos juízes e a compreensão dos seus concidadãos. Tenho uma cópia gravada, aqui há uns anos atrás, num canal português de televisão por cabo. Mas uma versão DVD do comércio seria benvinda. Sobretudo porque se trata de um filme com qualidade indubitável.
Com uma calma absoluta, o cadastrado Jim Larsen/Ray Kinkaid (Fred MacMurray, à esquerda na foto) participa nas operações policiais que hão levar à sua própria detenção. Esta fita é baseada na ficção «Long Gone», da autoria de Peter Dawson, prolífico autor, que escreveu 120 contos e novelas de sabor western. A fita foi produzida pela Columbia Pictures e tem, no seu elenco artístico, os nomes de Lin McCarthy (no papel do xerife), Dorothy Green (Ellen), Alan Baxter (Reed Williams) ou de James Coburn (Purdy). A belíssima fotografia (a cores) foi assinada por Willfred M. Cline e a música de fundo foi composta pelo conceituado maestro Jerry Goldsmith. «A MÁSCARA DE UM FUGITIVO» tem uma duração de 81 minutos.
Esta película já tem uma merecida edição DVD no Brasil, país onde se intitula «AUDÁCIA DE UM FORASTEIRO». Como já acima referi, este filme (de qualidade para uma modesta série B) é quase anónimo, mesmo junto dos westernófilos. Daí a necessidade (e, porventura, a vantagem em termos financeiros) de lançar, no nosso país, uma cópia DVD, devidamente legendada na nossa língua. Não se exige mais...
Esta película já tem uma merecida edição DVD no Brasil, país onde se intitula «AUDÁCIA DE UM FORASTEIRO». Como já acima referi, este filme (de qualidade para uma modesta série B) é quase anónimo, mesmo junto dos westernófilos. Daí a necessidade (e, porventura, a vantagem em termos financeiros) de lançar, no nosso país, uma cópia DVD, devidamente legendada na nossa língua. Não se exige mais...
TANTA E TÃO DISTINTA GENTE...
Com centenas de nações e de tribos distribuídas por todo o território da América do norte, os povos ameríndios (vulgo pele-vermelhas) criaram culturas distintas, relacionadas (mas não só) com o espaço geográfico e com o seu modo de vida. Entre um Hopi do Sudoeste e um Mohawk da região dos Grandes Lagos havia diferenças tão grandes ou ainda maiores do que aquelas que existem, nos nossos dias, entre um Português e um Sueco. E, a nível linguístico -e a exemplo do Mundo de hoje- a terra dos 'homens vermelhos' era uma autêntica Babel... As diferenças eram também muito marcadas a nível habitacional. Um Lakota Sioux ou um Cheyenne da chamada Grande Pradaria, que subsistiam, essencialmente, da caça aos bisontes, viviam (de Verão como de Inverno) em tipis, grandes tendas cónicas confeccionadas com peles daqueles ruminantes; os povos que habitavam as grandes florestas do Leste (como os Hurons, por exemplo) construiam habitações de grandes dimensões (feitas de troncos e ramagens), onde cabiam várias famílias; quanto aos Navajos, do Arizona, esses preferiam os 'hogans', espécie de cabanas constituídas por uma sólida armadura feita com troncos, coberta e impermeabilizada com adobe. Mas, no século XX, apareceu o cinema hollywoodiano para nivelar as coisas e o tipi surgiu -como uma espécie de abrigo universal- em filmes passados em regiões onde eles nunca foram vistos antes. Estou-me a lembrar, por exemplo, de «Forte Niagara» («Battles of Chief Pontiac»), realizado por Felix Feist em 1952, onde se podem ver os Ottawas a praticar campismo nas tais tendas cónicas, próprias de Sioux, Cheyennes, Black Feet, Crows, etc... Hoje deixamos aqui (para apreciação) a fotografia de uma choça tradicional dos índios Omahas, fotografada por volta de 1900. E que nós nunca vimos reproduzida nas películas de Hollywood. Os índios Omahas são, ao que parece, originários da Virgínia e da Carolina. Foram empurrados, ao longo de séculos de colonização branca, para as montanhas Ozark e dali para territórios situados a Oeste da linha Missouri-Mississippi. Viveram, sucessivamente, no Minnesota e no Dacota do Sul. Inimigos encarniçados dos Sioux, os Omahas partilham, hoje, com eles (e com outros grupos étnicos) as terras da reserva Winnebago, situadas no estado de Nebrasca.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
«O PISTOLEIRO ROMÂNTICO»
Estreado em 1949, este soberbo western de Henry King é, sem dúvida, uma das melhores obras do seu realizador e, também, uma das mais belas películas da filmografia de Gregory Peck. Actor que aqui interpreta o papel de Jimmy Ringo, um pistoleiro profissional, cansado do seu passado de violência. E que decide arrumar as armas, para se consagrar, definitivamente, ao papel de chefe de família, junto de uma mulher que ele havia abandonado e do filho de ambos. Mas a fama de 'mais rápido atirador do Oeste' persegue-o, e Ringo acaba por sucumbir aos tiros de um jovem desmiolado. A quem o herói moribundo vai prognosticar as mesmas angústias, a mesma ansiedade, com as quais ele teve de partilhar a sua existência de homem temido e acossado. O papel de aventureiro fatigado assenta como uma luva na pessoa de Peck, que raramente vimos tão humano e tão dramático.
Esta cena de «O PISTOLEIRO ROMÂNTICO» mostra um Jimmy Ringo (Gregory Peck) plácido, afrontando um jovem (encarnado pelo actor Skip Homeier); que, impúdica e imprudentemente, o desafia para um duelo... que terá consequências funestas. A fita conta, ainda, com a presença de outros comediantes conhecidos, entre os quais figura Karl Malden; que vemos nesta fotografia no papel do 'barman'. «O PISTOLEIRO ROMÂNTICO» («The Gunfighter») ainda não tem, infelizmente, uma cópia videográfica editada em Portugal. Contrariamente ao que já aconteceu no Brasil (onde o filme se intitula «O Matador»), em Espanha («El Pistolero», tradução fiel do título original) ou em França, país onde, curiosamente, o filme foi exibido comercialmente com dois títulos diferentes : «La Cible Humaine» e «L'Homme aux Abois». Este western clássico foi filmado a preto e branco para a companhia 20th. Century-Fox e tem uma duração de 84 minutos.
«OS PORTUGUESES NA FORMAÇÃO DA AMÉRICA», PROCURA-SE
Há muito tempo que procuro, sem sucesso, este livro da autoria de Manuel Mira. Pelo que julgo saber, esta obra aborda, nas suas páginas, factos conhecidos do contributo dado pelos Portugueses na formação dos Estados Unidos; mas aborda, também, outros acontecimentos de natureza inédita sobre este interessante tema. Embora nos tempos da colonização do chamado Novo Mundo, os nossos compatriotas tenham orientado o essencial da sua acção e do seu esforço para o Brasil -o nosso próprio Eldorado- a verdade é que eles participaram, também, de maneira digna de menção, na descoberta e na conquista da América do norte. Disso fazem fé os nomes dos irmãos Corte Real, de João Fernandes Lavrador, de Rodrigues Cabrilho, do Cavaleiro de Elvas (companheiro e cronista de Hernando de Soto no seu périplo através do Oeste americano), de John 'Portuguee' Philips e de muitos outros mais. Terei a oportunidade (assim o espero) de falar de todos eles num futuro próximo. Entretanto, se alguém souber da comercialização deste livro (novo ou usado), muito agradeço o favor de enviar informação para este blogue.
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